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Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha formam o Crajubar — um território onde cultura e comunicação se entrelaçam há décadas. Esta reportagem investiga o mercado jornalístico na região, revisitando a trajetória da imprensa local e analisando como os profissionais têm se reinventado diante das transformações do fazer jornalístico. A partir de dados, entrevistas e relatos, o trabalho traça um panorama dos desafios, desigualdades e possibilidades que marcam a profissão, refletindo ainda sobre o papel da UFCA na formação e inserção dos novos jornalistas no cenário regional.

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O JORNALISMO DO CRAJUBAR
E OS NOVOS CAMINHOS DO MERCADO

Bárbara Letícia

Pedro Miranda
Samira Salyorania
Suyanne Maia

PANORAMA DA COMUNICAÇÃO NO CRAJUBAR

O jornalismo no Crajubar tem raízes profundas. Muito antes das redes sociais e da forma espontânea de produção de informações a região já abraçava a comunicação, desde jornais impressos que circulavam pelas ruas, as rádios que deram voz à cultura e personalidades dessas cidades, e as TVs que ampliaram o alcance das histórias locais. Cada fase reflete uma época e os caminhos que o jornalismo percorreu até se adaptar às transformações tecnológicas e sociais.

Entre jornais impressos, transmissões e portais de notícia, o Crajubar construiu uma identidade na comunicação, de forma própria e singular, que é marcada pela mistura de tradição e reinvenção. E a seguir, você confere uma linha do tempo que relembra os principais marcos dessa trajetória, que vão dos primeiros jornais até os meios digitais que continuam mantendo viva a arte de informar na região.

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LINHA DO TEMPO

jornais impressos

1855
O Araripe

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1904
Correio do Cariry

1911
O Rebate

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1997
Jornal do Cariri

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rádios

como um meio resiliente, moldado por personagens apaixonados e comprometidos com a realidade local. 

No rastro da pioneira Rádio Araripe, surgiram outras emissoras que ampliaram o alcance e a influência desse meio na região.  A Rádio Iracema do Cariri, fundada também em 1951, em Juazeiro do Norte, tornou-se a primeira da cidade e a segunda do interior cearense, fortalecendo o vínculo entre comunicação e vida comunitária. Ainda nos anos 1950, a Rádio Educadora do Cariri, criada por Dom Vicente de Paulo, inseriu o rádio em um projeto de educação popular e evangelização da Diocese — papel fundamental na articulação de ações sociais e campanhas de alfabetização.

Já nas décadas de 1960 e 1970, emissoras como a Rádio Progresso, em Juazeiro, e a Rádio Salamanca (depois Cetama), em Barbalha, revelaram um modelo de radiodifusão marcado por interesses políticos e econômicos, com forte presença de grupos familiares tradicionais e empresários do setor canavieiro. Esses veículos foram centrais na mediação entre os poderes locais e a população, ora como instrumentos de difusão cultural, ora como arenas de disputa simbólica. A voz do rádio, então, era também a voz das estruturas sociais do Cariri.

Com o passar das décadas, o rádio caririense demonstrou uma notável capacidade de reinvenção. A partir dos anos 2000, o processo de migração das rádios AM para FM não apenas modernizou a infraestrutura técnica, mas também diversificou formatos e ampliou audiências. Emissoras tradicionais, como a antiga Verde Vale AM 570, transformaram-se e deram origem a rádios com perfis segmentados, como a JM FM, voltada ao público adulto.

Novos nomes também surgiram — a exemplo da Rádio Tempo FM 101.5, da Somzoom Cariri 106.5 FM e da CBN Cariri, que reforça o papel do rádio como espaço de jornalismo em tempo real e análise crítica. A Rádio Iracema do Cariri FM 91.9 mantém um público fiel ao forró, ao piseiro e ao sertanejo, enquanto a centenária Rádio 100 FM, com raízes em 1951, preserva sua relevância na paisagem midiática, agora em 100.5 MHz.

Ao atravessar transformações tecnológicas e mudanças no perfil das audiências, o rádio no Cariri mantém-se como um território de memória, resistência e pertencimento — onde o som continua sendo linguagem de encontro entre tradição e modernidade.

Na história da comunicação no Cariri cearense, o rádio ocupa um papel fundamental, tanto como ferramenta de informação e entretenimento quanto como espaço de formação identitária e comunitária. Desde a chegada da Rádio Araripe do Crato, em 1951, sob a chancela dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, até as recentes transformações digitais, o rádio atravessa décadas 

Rádio Araripe - Crato. Foto restaurada por IA

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LINHA DO TEMPO

emissoras de TV

 TV Padre Cícero, fundada em 1999, comunitária.

 TV Verde Vale, fundada em 2006, educativa, pela Fundação XV de Agosto, em parceria com a TV Cultura.

 TV Verdes Mares Cariri, fundada em 2009, comercial, por Edson Queiroz/Sistema Verdes Mares

 O rádio no Cariri e a trajetória dos seus comunicadores

Em meio às transformações tecnológicas e aos novos formatos digitais, o rádio permanece como espaço de pertencimento e voz no Cariri, impulsionado pela paixão de comunicadores como Toni Souza e Célia Rodrigues

O rádio caririense carrega, em suas ondas, o som da memória e o eco da resistência. Desde os tempos em que a transmissão era feita com fitas de rolo e discos censurados, até a era das transmissões online e dos aplicativos de streaming, ele se manteve como um território de invenção, afeto e persistência.

 

E, dentro dessa longa travessia, nomes como Célia Rodrigues e Toni Souza simbolizam a alma viva dessa história — dois comunicadores que traduzem, em gerações diferentes, o mesmo amor pelo microfone e pela palavra.

 

A trajetória de Célia Rodrigues começou cedo, em 1971, quando, aos 19 anos, fez um teste de locução na Rádio Iracema de Juazeiro do Norte. Entre textos publicitários e convites de missa, ela foi aprovada e logo partiu para Fortaleza, onde se profissionalizou em radialismo.

 

Eram tempos difíceis. “Ainda vivíamos resquícios da ditadura militar, com aquele controle midiático terrível”, recorda. As rádios recebiam caixas cheias de discos com algumas faixas riscadas — de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Elis Regina — pela censura, e, portanto, o silêncio imposto pelos militares tentava calar também as vozes do Cariri.

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Antiga rádio Iracema

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Célia Rodrigues

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Mesmo diante da repressão e das limitações técnicas da época, o rádio era uma espécie de tecnologia artesanal, feita de improviso, sensibilidade e criatividade. “Era extremamente prazeroso fazer rádio, pois era tempo real, estimulava a escuta e alterava o imaginário do ouvinte”, conta Célia.

Com o passar dos anos, ela se tornou uma das figuras mais reconhecidas da comunicação caririense. Apresentou o programa “Sexo Verbal”, na Vale FM, que durante nove anos discutiu sexualidade e comportamento com leveza e coragem — rompendo tabus em plena década de 1990. Hoje, aos 54 anos de carreira, reflete sobre o cenário atual com a mesma lucidez de quem viveu o rádio em todas as suas fases: “Não querem dar oportunidade a quem está começando. É preciso ter estágio, mas também espaço real para se profissionalizar”.

 

 

Toni viu o rádio atravessar revoluções. Viveu o tempo das fitas, dos LPs, dos CDs

e chegou às playlists digitais. Acompanhou o rádio que antes era local tornar-se global.

“Hoje, um ouvinte pode acompanhar a Rádio Progresso de qualquer lugar do mundo.

O que antes era um alcance regional, hoje é global, graças aos aplicativos e transmissões online”, explica.

Mas ele também reconhece os riscos dessa era de excesso informativo. “As redes viraram uma terra de ninguém, onde qualquer um comenta, agride ou distorce. O rádio ainda é esse espaço de vínculo e confiança com o ouvinte”, observa.

Para Toni, o segredo da sobrevivência do rádio está justamente nesse laço afetivo. “Quem liga o rádio quer ouvir aquele programa, aquele locutor. É um vínculo direto.” Essa intimidade, segundo ele, é o que faz o rádio permanecer essencial, mesmo diante das telas e algoritmos.

Ambos — Célia e Toni — acreditam que o futuro da comunicação caririense também está nas mãos da nova geração de jornalistas, formados na Universidade Federal do Cariri (UFCA), que têm a missão de unir técnica, ética e sensibilidade local. “O jornalista do interior precisa entender o seu lugar”, afirma Toni. “A nossa região tem muita coisa boa para mostrar, mas é preciso conhecer essa realidade e não querer trabalhar como se estivesse em São Paulo ou Fortaleza.”

Entre conselhos e lembranças, o recado dos dois comunicadores se entrelaça: o rádio continua sendo mais que um meio de comunicação. É resistência, é escola e é abrigo. Da juventude ousada de Célia à persistência curiosa de Toni, o que se mantém é o mesmo som — o da paixão pelo ofício e o desejo de manter viva a voz do Cariri.

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Rádio Cetama  

Décadas depois, em outro contexto, Toni Souza também encontrou no rádio uma vocação que nasceu do acaso e se tornou destino. Em 1997, desempregado, aceitou o convite de amigos para integrar um programa esportivo na antiga Rádio Cetama, em Barbalha. “O cupido do rádio me flechou”, brinca ele. Desde então, sua voz ecoa nas ondas do Portal Miséria e da Rádio Progresso, emissora com raízes políticas e culturais profundas na história do Cariri.

Toni Souza 

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Eu acho que as direções de rádio, especialmente as direções de programação, que são os responsáveis por contratação e por avaliação do potencial de cada profissional, precisa voltar-se mais pra essa galera que tá saindo da universidade, porque é um desafio danado”
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Você quer ser jornalista? Então, pronto. Saiba que é uma carreira bonita, linda, que você pode ajudar as pessoas, mas também pode prejudicar muita gente, se você não trabalhar da forma correta ou for responsável.
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Assista as entrevistas completas: 

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espaço? valorização? mercado?

Existe espaço e valorização para os jornalistas no Crajubar?

A trajetória de profissionais como Toni Souza e Célia Rodrigues evidencia a força simbólica do rádio no Cariri e os desafios enfrentados pelos comunicadores da região, cujas histórias de paixão, resistência e reinvenção refletem o papel do jornalista como mediador da realidade e guardião da voz popular; entretanto, diante do cenário atual, surge o questionamento sobre como está estruturado o mercado de trabalho para os novos formados em comunicação e se o jornalismo tem recebido o devido reconhecimento social, ponto de partida para a análise sobre o mercado jornalístico do Cariri, seus dados salariais, perfis profissionais e experiências pós-formação.

Perfil dos jornalistas no Ceará e no Cariri: quem são e onde atuam

​Segundo estimativa do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), há entre 9 e 10 mil profissionais de jornalismo em atividade no estado. Apesar disso, não existe um levantamento atualizado e exato, já que, desde 2014, o sindicato deixou de ser responsável pela emissão de registros profissionais, após mudanças nas diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego.

Antes, era necessário apresentar documentação diretamente ao sindicato para obter o registro da categoria. Hoje, essa exigência permanece apenas para funções ligadas à imagem, como repórter fotográfico, repórter cinematográfico, diagramador e ilustrador. Já jornalistas que atuam apenas na produção textual, como repórteres e redatores, podem solicitar o registro sem intermediação sindical, com ou sem diploma, em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2009, que derrubou a obrigatoriedade da formação específica em jornalismo.

No Cariri, as principais áreas de atuação dos jornalistas se concentram em rádios locais, assessorias de comunicação (muitas vezes em formato freelancer) e na produção de conteúdo para plataformas digitais. A diversidade de frentes reflete tanto a tradição da comunicação regional quanto as demandas mais recentes da internet e das mídias sociais.

Ainda que não haja dados consolidados sobre o número de vagas abertas nos últimos três anos, o Sindicato informa que visitas de campo e registros sindicais ajudam a traçar um retrato do perfil médio dos profissionais que atuam na região. A faixa etária predominante vai de 25 a 40 anos. Atualmente, são 42 jornalistas sindicalizados ativos no Cariri, sendo 10 mulheres (23,81%) e 32 homens (76,19%). Os principais vínculos empregatícios se concentram em rádios, prefeituras e secretarias municipais.

Esse panorama mostra que, apesar da ausência de números oficiais consolidados, é possível identificar tendências claras: o crescimento do trabalho em comunicação digital, a forte presença de jornalistas em assessorias públicas e a busca pela consolidação sindical em um mercado que ainda enfrenta desafios relacionados à valorização e às condições de trabalho.

Diferentes frentes com salários desiguais

Diferentes frentes com salários desiguais

Atuar no jornalismo abre um leque de possibilidades, já que a profissão se desdobra em diversas frentes, que vai da redação ao fotojornalismo, e passa pela produção audiovisual, rádio, redes sociais e assessoria de imprensa. Mas quando o assunto é remuneração, as diferenças entre essas áreas ficam evidentes. Algumas funções demandam maior responsabilidade e carga técnica, mas os valores pagos seguem padrões distintos, definidos em convenções coletivas. Dados do Sindjorce mostram os pisos salariais vigentes na região. 

 

Para uma jornada de cinco horas diárias, jornalistas de jornais, revistas e profissionais de rádio e televisão recebem de forma diferente. Enquanto na assessoria de imprensa há uma melhor remuneração, sendo a área mais atrativa em termos salariais.

 

Confira no gráfico abaixo:

Pisos salariais principais

Esse contraste ajuda a entender por que tantos jornalistas formados no Cariri direcionam suas carreiras para a assessoria, seja em órgãos públicos ou em empresas privadas. Ainda que o mercado também ofereça espaço em outros segmentos, a diferença de pagamento pesa na decisão profissional.

 

Além dos pisos salariais gerais, o levantamento aponta a realidade de outras frentes do jornalismo. Na produção editorial, por exemplo, há funções como redação, revisão e diagramação, cada uma com remuneração específica.

O fotojornalismo também se apresenta como uma vertente de destaque, mas com particularidades próprias: a remuneração varia entre saídas, diárias e capas, revelando que a rotina do profissional da fotografia no jornalismo é marcada por diferentes formatos de pagamento.

Já na produção audiovisual e digital, que abrange desde a criação de vídeos até o trabalho em podcasts e redes sociais, observa-se um campo em crescimento, mas ainda em busca de maior valorização em termos salariais.

Além disso, o Sindjorce informa que ainda se tem uma grande resistência no interior do estado em querer praticar os pisos para jornalistas baseando-se no piso de radialista, que é inferior e acaba sendo considerado mais compatível com a renda local, mas atuam constantemente para combater essa prática inadequada e valorizar o profissional jornalista.

Mercado de Trabalho: desafios e adaptações

Depois de traçar um perfil sobre os jornalistas da região do Crajubar e pensar na forma que são remunerados, surge um questionamento:

 


Como os profissionais têm enfrentado as mudanças no mercado de trabalho e se adaptado às novas formas de atuação?

A diversas respostas para essa pergunta, cada uma envolve a percepção e experiência de quem responde, e a equipe traz a visão da jornalista, Elizangela Santos, que atua como assessora de imprensa na prefeitura do Crato/CE e de Luciano Cesário, coordenador de jornalismo na rádio O POVO CBN CARIRI.

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Elizangela Santos

Luciano Cesário

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“O profissional hoje tem que lutar muito por um espaço, e não é muito fácil. O mercado em si não está oferecendo muitas possibilidades aos novos profissionais”

O impacto das redes sociais e a velocidade em que as informações são repassadas certamente são as mudanças mais notáveis, e Elizangela compartilha dessa visão. Segundo ela, a forma de consumo mudou e isso alterou também o comportamento da sociedade e do leitor. “A notícia virou uma espécie de fast food. As pessoas buscam informação de maneira muito rápida, e isso mexeu com o mercado de trabalho”, afirma. Ela diferencia o jornalismo profissional das publicações nas redes: “A rede social é uma rede de contato, não é uma rede de jornalismo. Tem gente que confunde as duas coisas”.

Além do desenvolvimento tecnológico que a sociedade atravessa, a entrevistada pontua a redução de vagas nos veículos tradicionais ou a falta de concurso públicos como pontos desafiadores para a profissão. A diminuição de correspondentes regionais dos veículos de comunicação acabou deixando o mercado ainda mais restrito, sem oportunidades fixas de trabalho. E a falta de concurso público acaba fazendo com que jornalistas formados pela região precisem buscar oportunidades em outros lugares, diminuindo a quantidade de jornalistas formados nas cidades do Crajubar. Dessa forma, o mercado de trabalho da região não consegue atender a todos, o que é algo reconhecido pelos próprios profissionais.

Um ponto levantado por Luciano Cesário, é a falta de profissionalização nos veículos de comunicação. Segundo ele, ainda há emissoras e empresas que não contam com jornalistas em suas equipes, o que representa um problema, mas também uma oportunidade de expansão para a categoria. Se esses veículos buscarem se profissionalizar, naturalmente haverá mais vagas abertas para jornalistas.

Com uma trajetória que inclui passagens pelas redações digital, impressa e de rádio do grupo O Povo, Luciano afirma que a necessidade de adaptação às novas tecnologias também faz parte da prática profissional e que ajuda na inserção no mercado de trabalho, mas que isso não vai além do que já é conhecido durante a formação. Para ele, ser jornalista hoje é saber aplicar a versatilidade de conhecimentos adquiridos na universidade em diferentes formatos e linguagens.

Além disso, ele destaca e observa uma abertura de oportunidades em diferentes áreas da comunicação, especialmente com o crescimento das assessorias públicas e privadas, sem contar com as empresas jornalísticas que continuam oferecendo espaço para jornalistas da região.

E ele reforça que para se adaptar ao mercado, é importante não se limitar ao jornalismo tradicional, já que a profissão é um campo amplo e em constante transformação. “O jornalismo é um universo de possibilidades”, diz. “Há caminhos diferentes, como atuar como consultor de comunicação ou seguir no meio acadêmico.”

Luciano Cesário é egresso do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), que este ano completou 15 anos de existência. Ele acredita que a presença da formação superior na região tem contribuído para o desenvolvimento gradual do mercado de trabalho no Crajubar. Mesmo que de forma lenta, o curso tem influenciado positivamente a formação de novos profissionais e fortalecido o cenário jornalístico local.

Essa percepção abre espaço para uma reflexão importante: qual tem sido, de fato, o impacto do curso de Jornalismo da UFCA na formação e na atuação dos profissionais da região? A próxima parte da reportagem busca responder a essa pergunta, analisando como a universidade se tornou parte essencial do desenvolvimento do jornalismo no Cariri.

O jornalismo é um universo de possibilidades. Há caminhos diferentes, como atuar como consultor de comunicação ou seguir no meio acadêmico.

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JORNALISMO - UFCA

15 anos formando comunicadores do Cariri

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Há 15 anos, a Universidade Federal do Cariri deu um passo decisivo para transformar o cenário da comunicação regional: foi criado o curso de Jornalismo. 

A proposta é formar jornalistas capazes de compreender e narrar o Cariri em toda a sua complexidade — suas tradições, contradições e modernidades — e, ao mesmo tempo, prepará-los para atuar em diferentes plataformas.

Segundo a coordenação, as duas primeiras turmas, formadas em 2013 e 2014, diplomaram 38 alunos, e hoje já são cerca de 200 profissionais formados. Muitos deles ocupam posições de destaque em rádios, portais de notícia, assessorias de comunicação e redes sociais, provando que o jornalismo caririense encontrou novas formas de se expandir sem perder o vínculo com sua origem.

Mas o curso não evoluiu apenas em números. Desde sua criação, a grade curricular passou por reformulações, acompanhando as transformações da profissão. O novo Projeto Pedagógico do Curso (PPC), aprovado em 2023, trouxe uma atualização alinhada às exigências do jornalismo contemporâneo — mais digital, dinâmico e multiplataforma.

As mudanças também se refletem na infraestrutura. Laboratórios de rádio, TV, fotografia e redação multimídia oferecem aos estudantes uma vivência prática do cotidiano jornalístico. Projetos de extensão têm levado a produção local para além das fronteiras da universidade, com exibições em emissoras educativas como a TV Verde Vale (CE) e a TV UFOP (MG), por meio da plataforma Eduplay, do Ministério da Educação.

 

 

LEG - Laboratório de Experimentações gráficas
Laboratório de Radiojornalismo
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Iniciativas como o Vozes do Cariri, a Semana de Jornalismo e as produções do jornal Panorama Cariri, consolidam a integração entre sala de aula, sociedade e mercado. O curso mantém convênios com rádios, portais e órgãos públicos da região, criando uma rede de estágios que permite ao estudante vivenciar diferentes campos de atuação. 

Atualmente, o Núcleo Docente Estruturante (NDE) trabalha na reestruturação do PPC, buscando novas formas de diálogo entre teoria e prática. É uma continuidade natural de um projeto que nasceu para evoluir.

A criação do curso representou, assim, uma ponte entre o passado e o presente da comunicação caririense: de um tempo em que o rádio era a principal voz da região, até o momento atual, em que os jornalistas formados pela UFCA constroem novas narrativas em múltiplos formatos e plataformas, preservando uma característica essencial — o compromisso em contar as histórias do Cariri para o mundo.

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Ao longo dos anos, o curso de Jornalismo da UFCA formou profissionais que hoje atuam em diferentes áreas da comunicação, dentro e fora do Cariri. As trajetórias desses egressos ajudam a compreender como a formação acadêmica dialoga com as transformações do mercado e com as novas formas de fazer jornalismo. 

​​Para aprofundar essa discussão, foram realizadas entrevistas com ex-alunos que compartilharam suas experiências, as dificuldades de inserção profissional e as estratégias que encontraram para se adaptar às mudanças da área.

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Victória Ellen, egressa do curso de jornalismo, repórter do portal No Cariri Tem e ex-repórter da TV Verde Vale.

Assista a entrevista completa: 

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Guilherme Carvalho, egresso da UFCA, apresentador do programa “Revista O Povo Cariri” na rádio O POVO CBN Cariri

Assista a entrevista completa: 

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Saulo Mota, egresso da UFCA, coordenador de redação do Portal Miséria, com experiência em comunicação institucional e estratégias digitais

Assista a entrevista completa: 

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O jeito caririense de comunicar: profissionais discutem futuro do jornalismo no Crajubar

O debate sobre o mercado de jornalismo no Crajubar também acontece dentro da universidade. Neste ano, a Universidade Federal do Cariri promoveu a IX Semana de Jornalismo do Cariri, que teve como tema “Lugares do jornalismo: o jeito caririense de comunicar”.

 

Na programação, uma mesa-redonda reuniu profissionais da região para discutir os rumos e desafios da profissão. Participaram da mesa Alinne Alcântara, coordenadora de comunicação institucional da Unileão/UniVS; Jaqueline Freitas, diretora de Jornalismo do Jornal do Cariri; e Luciano Cesário, coordenador de Jornalismo e âncora da rádio O POVO CBN Cariri.

Fotos: Beatriz Vieira

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Várias formas de
fazer jornalismo

O questionamento sobre a assessoria de imprensa ser ou não considerada jornalismo voltou a surgir durante o debate. Para Alinne Alcântara, essa função tem papel essencial, pois vai além de representar instituições: exige olhar crítico, capacidade de escuta e domínio da escrita. Ela ressaltou ainda a importância de um profissional versátil, capaz de atuar em múltiplas frentes da comunicação, como marketing, eventos e produção de conteúdo. E como o jornalista é essencial para realizar esse trabalho.

 

Jaqueline Freitas pontuou bem como o curso de Jornalismo na UFCA contribui para fortalecer a prática na região, comentando como observa que o curso traz transformações para os diferentes formatos presentes no Cariri.

 

Luciano Cesário, por sua vez, destacou que o jornalista de hoje precisa ser adaptável, já que não se restringe a apenas um meio, mas transita entre rádio, redes sociais, televisão e plataformas digitais. 

Essas diferentes percepções ampliaram o debate sobre o mercado de trabalho do jornalismo na universidade. Permitindo que os estudantes presentes conseguissem entender um pouco como funciona esse mundo na prática.

Todas as falas ao longo dessa reportagem convergiram para uma mesma constatação: o jornalismo no Cariri está em movimento, moldado pelas mudanças do mercado e pelo perfil multifacetado dos profissionais. O cenário, embora desafiador, mostra que há espaço para diferentes formas de atuação, da produção de notícias em veículos tradicionais às novas demandas de assessoria, conteúdo digital e comunicação institucional.

 

Isso reforça que o futuro do jornalismo no Crajubar depende da capacidade de adaptação, da busca constante por qualificação e do compromisso em entender a realidade local. Nesse processo, os jornalistas da região seguem construindo uma identidade própria, que alia tradição e inovação para manter viva a função essencial da profissão: informar e dar sentido à vida em comunidade.

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Ficha Técnica

Reportagem Multimídia

Jornalismo Digital II - 5° semestre - 2025

Equipe: 

Bárbara Letícia 

Pedro Miranda

Samira Salyorania

Suyanne Maia

Ivan Satuf

Professor Orientador 

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